Expo Revestir 2011, um olhar tecnológico
Nesta semana aconteceu a já tradicional Expo Revestir 2011, a principal feira nacional de revestimentos que movimentou o Transamérica Expo Center em São Paulo entre os dias 22 e 25 de março. Mais do que falar de lançamentos e produtos, este post vai se concentrar na experiência proporcionada ao visitante da feira, principalmente do ponto de vista do design e da tecnologia.
É consenso que tendências como globalização, sustentabilidade e tecnologia vieram para ficar, independente do ramo econômico em que estejamos inseridos. Entretanto, é curioso observar como o setor cerâmico, que vem se modernizando tanto no que se refere à tecnologia, ainda se utiliza de práticas tão tradicionais para expor seus produtos.
Fica evidente que o Design e a Tecnologia da Informacão ainda tem muito a ser explorado, principalmente no que se refere a proporcionar uma melhor experiência ao consumidor destas feiras.
Sobram painéis informativos com excesso de texto, monitores em loop infinito com publicidade e produtos expostos de forma desordenada e cumulativa… Uma poluição varejista que despeja informação no consumidor sem se preocupar com a maneira como esta será digerida, compreendida e, mais importante, lembrada.
Assim, sai na frenquente quem aposta no minimalismo, ambientes neutros que colocam em evidência as melhores qualidades dos produtos que realmente merecem destaque. A reverência à arte fabril em detrimento da supervalorização da venda de produtos, o enaltecimento do “artesão” e do “know how”: num mercado tão competitivo e tão específico, estes são os verdadeiros diferenciais. Assim, investir no Design como grande estrela de um estande certamente causa um impacto muito mais positivo junto ao consumidor, independentemente das dimensões de seu espaço. Ou seja, a conhecida máxima do “menos é mais” demonstra mais uma vez que continua em alta.
Alguns expositores recorreram à tecnologia do QR Code, tendência em feiras internacionais, para apresentar informações sobre os seus produtos. OK, uma tentativa válida, principalmente por facilitar o armazenamento (e posterior recuperação) destas informações… mas quais consumidores realmente utilizam esta tecnologia cotidianamente no Brasil? Uma inovação importante, sem dúvida, mas que carece de assistência e prática de uso para se disseminar. Quem sabe um pessoa explicando e auxiliando na utilização? Ou um pequeno vídeo demonstrativo? Ou mesmo terminais públicos que permitissem a leitura dos códigos por quem ainda não domina a tecnologia?

Espaços para as novas mídias sociais e troca de informações em rede, aplicativos para dispositivos móveis (aqui merece destaque o ArkPad, como iniciativa pioneira no setor), a extensão da feira para além do ambiente físico do pavilhão de exposições… Tudo isso são facilidades que a tecnologia possibilita mas que continuam sendo relegadas a um segundo plano pelo setor cerâmico brasileiro.
E não estamos falando de grandes parafernálias tecnológicas….
Afinal, porque não oferecer aos visitantes um simples cartão de visita que contenha um pequeno chip de memória com porta USB, onde podem ser armazenados catálogos, fotos de ambientes, videos demonstrativos da utilização dos produtos, dados técnicos e tantas outras informações que inclusive proporcionariam economia de tempo, dinheiro e árvores (sim, sustentabilidade não só na produção, mas também nas feiras, porque não?).
Vivemos realmente num admirável mundo novo em que inúmeras tecnologias, possibilidades e alternativas nos são apresentadas a cada momento, mas o espaço para o ser humano continua imutável. Continua sendo fundamental pensar na experiência de quem é exposto a uma feira de exposições como esta.
E neste ponto chama muito a atenção como o setor cerâmico ainda privilegia a pedra em detrimento dos seres humanos na hora de comercializar seus produtos.
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Esta é a típica visão em quem só pensa no design, na exposição e na aparência como um todo e esquece que o foco principal de qualquer empresa é ganhar dinheiro. Você não vive o dia a dia do implacável mercado, dos leilões promovidos pelas revendas e pelas próprias empresas. Ter produto bem apresentado é importante, mas ter foco em venda de um bom produto é primordial para a sobrevivência no mercado.
Quando você comenta “A reverência à arte fabril em detrimento da supervalorização da venda de produtos, o enaltecimento do “artesão” e do “know how”: num mercado tão competitivo e tão específico, estes são os verdadeiros diferenciais” , deixa bem clara esta posição.
Ponto de vista, seu e meu, respeito, mas não concordo.
Abraço
Luciana
Oi Luciana, muito obrigado pelo seu comentário.
Claro que entendo que as empresas precisam ganhar dinheiro – até porque trabalho em uma empresa assim e também preciso ganhar dinheiro.
Porém, não acredito que isso impeça as empresas de expor seus produtos de um modo mais envolvente e até mesmo mais eficiente.
Pelo contrário, é cada vez mais claro que investir em qualidade e na experiência do consumidor é um fator decisivo para o aumento das vendas.
A Apple está aí para demonstrar este argumento: produtos de qualidade, lojas minimalistas, atenção à experiência do consumidor… vários fatores que, somados, a tornam uma das empresas mais lucrativas do mundo.
Sei que é um ponto de vista polêmico. E também respeito sua opinião. Mas acredito que é um debate cada vez mais necessário – independentemente do setor econômico.
Obrigado mais uma vez,
Jean