Tendências ou Estilos na Cersaie 2012

Em um mundo cada vez mais globalizado e interconectado, ainda faz sentido correr para seguir padrões externos que mudam a cada estação?

SantAgostino

Na Cersaie 2012 encontramos produtos interessantes para todos os públicos, níveis de poder aquisitivo e estilos. Havia produtos diferenciados, clássicos, arrojados e tecnológicos, disponíveis nas mais diversas cores, formas e tipos de design. Produção riquíssima em matéria (revestimentos cerâmicos) com criatividade, inspiração e transpiração transformada.

Mas, como já dizia a famosa estilista francesa Coco Chanel, “a moda sai de moda, o estilo jamais“. As coleções que “expressam um estilo, ao invés de meramente estar na moda”, tendem a proporcionar um resultado mais duradouro. “E é exatamente isso que toda marca está buscando nos dias atuais, mas também é o mais difícil de se conseguir”.

Foi exatamente pensando nisso que Kevin Roberts cunhou o conceito de  “Lovemarks”, ou seja, empresas que fortalecem cada vez mais suas próprias marcas ao se apropriarem de um estilo, de um conceito.

Lovemarks

Quer exemplos? Veja como a Coca-Cola trabalha o conceito de felicidade, buscando proporcionar momentos simples de felicidade para as pessoas ao redor do mundo, todos os dias, ao invés de vender ostensivamente seus produtos. Note a poderosa Apple que ao se apropriar da ideia de inovação conecta-se com o que há de melhor em design e tecnologia. Ou ainda a Nike, que transpira bem-estar (já não é só um tênis para correr, mas uma expressão de saúde e qualidade de vida). No Brasil temos o exemplo das Havaianas com o conceito de descontração para todos os públicos (a sandália mais democrática que se tem notícia. Calça “do mais pobre ao mais rico”).

E no universo fashion, como isso se traduz?

Lovemarks2

Lá temos grandes nomes como Gucci, que sintetiza a elegância italiana, a Giorgio Armani, que traduz o moderno, a Valentino representando a tradição, a Versace com seu foco no glamour de suas coleções ou a francesa Gaultier que já se tornou um ícone de ousadia.

Mas, se pensarmos no setor cerâmico, conseguimos estabelecer uma relação semelhante? Temos alguém pensando desta forma no mercado do revestimento cerâmico?

A Cersaie 2012 estava repleta de referências neste sentido, como a Impronta com toda sua criatividade, praticidade, elegância, diversidade. Ou a Mutina com  Patrícia Urquiola trazendo muitos detalhes, nostalgia, com seu estilo vintage/retrô. Chamou muito minha atenção a cerâmica Sant’Agostino, com o renomado designer Philippe Starck traduzindo a flexibilidade e simplicidade no revestimento e na arquitetura. Temos também Casalgrande Padana, Fiandre e Grupo Panari que buscaram unir tecnologia, design e saúde através de produtos auto limpantes e antibacterianos.

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Já a Lea trouxe o minimalismo como marca em produtos para todos os ambientes. A Novoceram mostrou um conceito do Barbablu, numa viagem lúdica que fazia referência aos 6 sentidos da percepção. A Apavisa arrojou na diversidade das cerâmicas com diferentes formas, volumes e formatos (saindo bastante do tradicional). A Casamood projetou a matéria inspirada em um único mote reproduzido em toda coleção. A Gamma Due demonstrou toda a personalização das cerâmicas, como na simpática coleção Hello Kitty. E a Porcelanosa buscou traduzir o trinômio tecnologia, requinte e estilo.

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E felizmente no Brasil também já existem empresas despertando para esta nova realidade, ainda que de uma maneira bem tímida.

Tendências saem de moda, mas marcas com personalidade e estilo não!

Temos que seguir tendências ou devemos buscar um estilo? A resposta é clara: “a marca não vai ficar circulando por vários segmentos. Ela precisa ter uma alma, uma espécie de DNA.” Esse é um aspecto muito importante para os objetivos de qualquer empresa em todos os segmentos, inclusive as cerâmicas.

A Indústria de revestimento cerâmico brasileira precisa cada vez mais buscar esta sua identidade própria. Valorizar a diversidade de nossa cultura, dar vazão a nossa imensa criatividade.

Mas é fundamental definir um estilo próprio, pois ainda se nota esta clareza de identidade. O resultado é a competição cada vez mais acirrada e um mercado preocupado em reproduzir tendências externas – ao invés de filtrar estas referências, sem perder de vista a busca por sua própria identidade, com clara definição de um nicho e/ou público.

Enquanto isso a Itália, que sempre valorizou um estilo tão próprio, segue sendo referência para o Brasil e para o mundo – uma Cersaie após a outra.

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Camila Lamberti

Designer e Gerente de produtos, Camila Lamberti atua em uma empresa de grande porte do setor cerâmico nos estados de São Paulo e Bahia e tem como foco a pesquisa de tendências e conceitos que conquistem os consumidores. Com isso, Camila está sempre um passo a frente em relação às novidades do mercado de produtos para arquitetura, decoração, design e acabamentos.

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