O passado e o futuro da impressão digital: uma revolução em tempo real

Se a tecnologia está mudando radicalmente os mais diversos segmentos econômicos, por que seria difícil identificar como ela está afetando a milenar indústria cerâmica?

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Nem estou considerando o potencial que a tecnologia tem de transformar a produtividade das fábricas através de um intenso processo de robotização. Já imaginou? Plantas industriais funcionando 24h por dia a pleno vapor, com robôs cuidando da matéria-prima ao controle de qualidade, passando pela otimização e reaproveitamento de resíduos. Um verdadeiro caminho aberto para uma produção 100% eficiente.

Mas enquanto não chegamos lá, vamos tratar de algo mais trivial que a tecnologia trouxe para a indústria cerâmica e que já faz parte da nossa realidade: a evolução da impressão digital.

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Sim, hoje é fácil falar da revolução que a impressão digital representa para o setor, mas você se lembra da desconfiança que teve quando ouviu falar dessa tecnologia pela primeira vez? E, da mesma forma, você se sente capaz de imaginar para onde essa inovação está nos encaminhando?

Antes de olhar para frente, sugiro olharmos um pouco para trás e recordar de outra tecnologia revolucionária, a fotografia, que hoje já é uma realidade corriqueira. Durante centenas de anos, as únicas formas de representação da natureza eram a escultura e a pintura. A humanidade se empenhava numa busca incessante pela maior fidelidade possível para reproduzir a realidade. Por anos e anos, evoluímos nossas técnicas através de obras primas como o David de Michelangelo e a Monalisa de Leonardo da Vinci.

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Mas, de repente, uma nova tecnologia tornou “obsoleta” toda essa evolução. Com a fotografia, a busca pela fidelidade se torna praticamente irrelevante, pois ela permitiu que fossemos capazes de retratar a realidade de uma maneira que a pintura, por exemplo, dificilmente conseguiria superar.

A pintura e a escultura morreram com essa nova tecnologia, certo? Errado! O advento da fotografia libertou as artes das amarras da realidade e permitiu que a humanidade tivesse novos e ousados voos criativos: impressões, formas, sonhos… Passamos a buscar por tudo aquilo que a fotografia não era capaz de retratar. E, com isso, horizontes antes desconhecidos se abriram para a criatividade…

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Entretanto, você deve estar se perguntando: o que isso tem a ver com a indústria cerâmica? Na minha opinião, toda essa evolução das artes e sua superação pela fotografia tem absolutamente tudo a ver com o passado recente da indústria de revestimentos cerâmicos e com o futuro que se coloca à nossa frente.

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Do forno garrafão, passando pela decoração contínua e até o porcelanato, a produção cerâmica havia alcançado seu ápice com a tecnologia rotocolor. Foi então que a impressão digital veio para mudar tudo e revolucionar a maneira como trabalhávamos – exatamente como a fotografia transformou as artes. Já não precisávamos mais procurar a melhor combinação de cores para alcançar simulações realistas de pedras, madeiras e outras superfícies. Com a impressão digital passamos a ter a possibilidade de simplesmente fotografar e duplicar a realidade.

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Passados quase 20 anos desde as primeiras experiências com impressão digital em revestimentos cerâmicos ao redor do mundo. Ainda podemos perceber que estamos presos a velhos paradigmas, insistindo na reprodução da realidade através de imagens de madeiras e pedras. Poucos são os experimentos que vão além, dando asas à imaginação do designer. Aliás, o produto da Majopar que, em 2015, ganhou com folga o Prêmio Nacional Aspacer de Design é um exemplo de experimento desse tipo, através de suas simulações de conteiners com inscrições envelhecidas. Ainda uma reprodução da realidade, porém com temática diferenciada.

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Mas podemos muito mais! Ainda precisamos alcançar o “Impressionismo”, “Cubismo” e até o “Surrealismo” da indústria cerâmica. Superar as limitações da realidade para conceber peças realmente únicas, que expressem (e valorizem) a identidade de cada consumidor em toda sua subjetividade. Aqui o espaço para um trabalho realmente autoral, de grife mesmo, abre possibilidades sem precedentes para nossa indústria no que se refere à personalização dos ambientes – e, mais importante, com um alto valor embutido, que vai muito além da soma das matérias-primas que os constituem. E com a robotização (olha ela aí de novo…), esse tipo de produção altamente tailor-made fica muito mais próxima da realidade e, por que não dizer, do bolso do consumidor comum.

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Quer mesmo olhar para o futuro? Então, que tal começarmos a pensar em superfícies tão personalizadas que possam ser verdadeiras telas nas quais projetamos nossos humores, desejos e anseios – reais ou surreais. Aliás, por que um dia não podemos trocar os motivos de nossos pisos e revestimentos da mesma maneira que trocamos o “fundo de tela” de nossos computadores?

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Você provavelmente está pensando: impossível. Pois é, um dia falaram que era impossível imprimir além das quatro cores. Tudo é uma questão de tempo. Quer apostar?

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Camila Lamberti

Designer e Gerente de produtos, Camila Lamberti atua em uma empresa de grande porte do setor cerâmico nos estados de São Paulo e Bahia e tem como foco a pesquisa de tendências e conceitos que conquistem os consumidores. Com isso, Camila está sempre um passo a frente em relação às novidades do mercado de produtos para arquitetura, decoração, design e acabamentos.

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