Boa notícia na CERSAIE 2016: poucas novidades!

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Sim, pode parecer contraditório, mas o que menos se viu na badalada feira de revestimentos cerâmicos de Bologna foram peças inovadoras que realmente despertassem interesse.

Não me entenda mal. Claro que encontramos algumas (poucas) surpresas. Porém, muito mais do que isso, a CERSAIE 2016 apresentou-se bastante conservadora, confirmando tendências que já pudemos acompanhar nos últimos anos, mas apostando muito pouco em inovações.

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Entre estas tendências confirmadas tivemos produtos com simulações de tecidos, combinações de texturas, grandes formatos, madeiras e vários brilhantes. Outros produtos já conhecidos conquistaram ainda mais espaço, como os cimentos, as pedras, o brick e metalizados. Porém, pode-se dizer que tratavam-se de apostas seguras, conceitos já experimentados (e aprovados) em edições anteriores.

Evidente que a capacidade técnica de execução continua indiscutível: os designers europeus têm à sua disposição muitas opções de tintas, formatos, texturas, granilhas e efeitos para produzirem revestimentos cada vez mais realistas. Entretanto ainda se insiste na mera reprodução da natureza em quase infinitas variações de pedras, madeiras, mármores, tecidos, etc. No entanto, neste ano faltou à CERSAIE um pouco mais de ousadia, de design, de busca de novas maneiras de surpreender e encantar o consumidor.

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Quem mais chegou perto de surpreender e chamar a atenção foram produtos que focaram em temas diferenciados, como desenhos em estilo retrô personalizado da sempre instigante cerâmica francesa Novoceram e belíssimos porcelanatos inspirados em tapetes da Ásia da espanhola cerâmica Aparici. Também causaram boa impressão alguns tecidos e tapetes que foram reproduzidos fielmente. Quem está se destacando são os relevos e os efeitos técnicos: agora que a impressão HD está mais apurada, a indústria se aprofunda na tridimensionalidade e na técnica mais natural.

Mas o que pode estar motivando esta tendência conservadora de 2016? Bom, meu principal palpite é a economia. Sim, porque, ainda sentindo os efeitos da crise dos últimos anos, os fabricantes europeus estão evitando riscos e apostando em soluções já testadas que garantam o fluxo de caixa.

Quem perde com isso? Fundamentalmente os consumidores, que ficam com menos opções diferenciadas e soluções mais padronizadas. Lembra-se da tendência de personalização que vinha se fortalecendo ano após ano? Pois é, em nome de ganhos mais seguros ela foi relegada à escolha entre inúmeras variações do mesmo tema.

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Mas você pode estar se perguntando: então por que ela falou que as poucas novidades da CERSAIE 2016 são uma boa notícia? Numa palavra, OPORTUNIDADE.

Sim, porque se todos estão focados em apostas seguras, aqueles fabricantes que investirem em design e soluções inovadoras encontrarão um oceano azul de oportunidades para se destacar e chamar a atenção daquele público ávido por produtos diferenciados, com qualidade e bom gosto. Para deixar ainda mais claro: num momento em que as possibilidades tecnológicas estão cada vez mais consolidadas, sobra espaço para a criatividade e para designers que possam ousar.

Uma vez que a inovação nunca foi tão valorizada, já está mais do que na hora do setor de revestimentos cerâmicos voltar a investir em soluções criativas e diferenciadas para conquistar novos consumidores e, por que não, lucrar com isso.

Camila Lamberti

Designer e Gerente de produtos, Camila Lamberti atua em uma empresa de grande porte do setor cerâmico nos estados de São Paulo e Bahia e tem como foco a pesquisa de tendências e conceitos que conquistem os consumidores. Com isso, Camila está sempre um passo a frente em relação às novidades do mercado de produtos para arquitetura, decoração, design e acabamentos.

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